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sábado, 30 de julho de 2022

Cal Nogaroto: Impunidade! O grande mal do nosso país.



Por Cal Nogaroto
- “A gente dá um jeitinho", “Tudo vai acabar em pizza”, “Isso não vai dar nada...", “Você já viu rico ser preso em nosso país?". Infelizmente, essas são expressões corriqueiras na linguagem do brasileiro e deixam claro que a povo não acredita nas Leis, ou, o que é pior, que essas sejam cumpridas. Se a nossa Carta Magna nos assevera a igualdade perante a Lei, por que existem alguns mais “iguais” que outros? Por que determinadas leis só “pegam” para uma parte da população? Por que tantos "salvo disposição em contrário"? Por que o “cumpra-se” não vale para todos?

A impunidade é, sem sombra de dúvida, o grande mal de nosso país. É ela a grande estimuladora do não cumprimento das normas legais. E, como a impunidade acontece com maior intensidade nos chamados “escalões superiores da sociedade”, tem um efeito deletério na coletividade. Ela “forma opiniões”. Ou as deforma, dependendo do ângulo de visão.

Os corruptos, com bons advogados, cumprem 1/6 da pena em regime fechado e “progridem” para o semiaberto e para o aberto, quando não ficam em prisão domiciliar nas mansões que adquiriram com o dinheiro desviado. E, detalhe, sem tornozeleiras eletrônicas, pois essas estão sempre em falta. Os que ficam nos presídios saem nos indultos (para mim, esse instituto deveria ser chamado de insulto), quando não são indultados definitivamente com a extinção de punibilidade. 

No Brasil, é difícil desvendar a corrupção pois, quase sempre, ela acontece no submundo, onde não se tem notas fiscais, recibos, registros, contratos com firmas devidamente reconhecidas... Os recursos não circulam por instituições financeiras, não há extratos bancários, não há pessoas - há "laranjas", os quais não conhecem ninguém, nunca ouviram ou viram nada, não sabem explicar sequer como os seus dados foram parar ali. 

As tratativas, as amarrações, os acordos, se dão nos porões de palácios, em sítios ou imóveis de veraneio. Os recursos passeiam dentro de malas, de cuecas, vão a restaurantes, viajam de carro, de jatinhos. Pessoas conseguem empréstimos milionários sem qualquer garantia e os pagamentos, em sua maioria, nunca acontecem. Criações de gados se multiplicam tanto que há casos de "vacas que dão filhotes diários". 

O dinheiro roubado roda o mundo, passando por milhares de contas bancárias de empresas fantasmas em paraísos fiscais. Só a operação Lava Jato já fez mais de 400 solicitações de cooperação dirigidas a mais de 50 países. Internamente, o Banco Central, a Receita Federal e a Comissão de Valores Mobiliários adquiriram maior poder para punir em valores expressivos as condutas lesivas ao sistema financeiro, tributário e ao mercado de capitais. Agora, está mais difícil esconder a dinheirama e até locação de apartamentos para hospedar o roubo passou a ser utilizado.

A impunidade é a principal avalista da corrupção. A mesma corrupção responsável pela falta de recursos nos hospitais, pela escuridão do analfabetismo, pelo martírio da fome e pela guerra civil não declarada. Tivessem corruptos e corruptores sido alcançados como manda a lei, seria outra a realidade brasileira, sem tantas mazelas sociais, sem tamanhos contrastes, sem ocuparmos as últimas posições nos rankings de distribuição de renda em todo o planeta.

Leis não faltam. Ao contrário. Em muitos aspectos, temos um aparato legal invejável. O que, aliás, caracteriza ainda mais a impunidade. O que nós precisamos de modo emergencial é reestruturar o instituto da aplicabilidade penal, fazendo com que os condenados efetivamente cumpram as suas penas.

O ciclo da impunidade é marcado pelas dificuldades. Difícil descobrir. Descoberta, difícil prová-la. Provada, difícil que o processo não se torne nulo ou seja anulado. Não anulado, demora mais de década e prescreve. 

O combate a impunidade precisa se tornar a principal agenda do país. Finda a impunidade, teremos outro Brasil. O dinheiro da corrupção desviado para os ralos dos poderosos tem tantos dígitos que seria capaz de acabar com fome, com o analfabetismo, com a falta de saneamento básico... Seria capaz de diminuir sobremaneira o índices de mortalidade infantil, de acabar com a seca do nordeste, de colocar cada cidadão brasileiro no seu posto de trabalho. Somos um povo privilegiado. Temos todos os recursos naturais mais importantes do planeta. Os minerais mais estratégicos, o maior rio, a maior floresta, todos os microclimas. O que nos falta é realizar a faxina na política nacional, retirando para sempre as escórias que, por equívoco, colocamos para nos representar. A partir daí, com a casa limpa, a impunidade não encontrará mais espaço.

“O maior estímulo para cometer faltas é a esperança de impunidade” Cícero


Cal Nogaroto - Candidato a deputado federal por SP
Nasci em Tremembé, tenho 43 anos, pai de 3 lindos filhos. Trabalho há 20 anos na administração pública, tendo ocupado 4 cargos nas esferas Federal e Estadual, todos eles por concurso público. Desde 2011, sou Auditor Fiscal da Receita Federal. Trabalhei, nos primeiros anos, na fronteira do Brasil com o Paraguai, diretamente no combate ao tráfico de drogas e armas. Na sequência, fui chefe da equipe de fiscalização da Receita Federal no Vale do Paraíba e, a partir de 2015, passei a trabalhar em grandes operações pelo país, sendo a mais conhecida delas a Operação Lava Jato.
Em paralelo, sou fundador e sócio do Coaching Concurseiros, empresa referência nacional na preparação de candidatos aos principais cargos públicos do país.



terça-feira, 12 de julho de 2022

Mulheres: Desigualdade e Violência


As mulheres embora sejam majoritárias na composição populacional, detêm pouco mais de 20% dos cargos de liderança no mercado de trabalho. A temática é extremamente importante para o desenvolvimento humano e sustentável, por isso é fundamental que os países combatam a violência de gênero e garantam a igualdade de oportunidades para as mulheres.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Cal Nogaroto: O Combate à Impunidade e à Corrupção

Por Cal Nogaroto
- Temos acompanhado nos últimos anos uma mudança muito grande no perfil dos brasileiros. Esse povo sofrido resolveu sair da zona de conforto em busca de um Brasil melhor e mais justo. São dezenas de milhões de brasileiros que parecem ter acordado para a situação lamentável que nos encontramos, com um sistema político todo corrompido, um modelo educacional falido, um sistema de saúde precário, uma justiça letárgica e repleta de falhas. 

sábado, 2 de abril de 2022

𝐄́ 𝐎𝐅𝐈𝐂𝐈𝐀𝐋: 𝐒𝐎𝐔 𝐏𝐑𝐄́-𝐂𝐀𝐍𝐃𝐈𝐃𝐀𝐓𝐎 𝐀 𝐅𝐄𝐃𝐄𝐑𝐀𝐋


O nosso país passa por grandes dificuldades e, sem dúvida, um ponto-chave diz respeito ao Congresso Nacional e seus integrantes. É exatamente no Poder Legislativo que precisamos realizar uma grande faxina, necessitamos retirar de lá a banda podre, aqueles que só pensam em seus interesses, que não dão a mínima para a população e suas demandas legítimas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Para onde vai o dinheiro recuperado pela Operação Lava Jato?

Por Luiz Claudio Nogaroto - A corrupção no Brasil representa um desvio de dinheiro público da ordem de 200 bilhões de reais por ano, ou seja, é um volume gigantesco de recursos que saem dos cofres públicos para carteira de privados. Durante a força-tarefa da Lava Jato, diariamente víamos matérias e chamadas de jornais noticiando prisões, delações, acordos de leniência e muitas outras atividades, trazendo cifras e mais cifras de dinheiro público.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Auditoria do TCU destrói tese contra Moro e a Lava Jato


Como restou constatado no relatório de auditoria realizado por servidores do TCU, o presidente do Tribunal Bruno Dantas (foto) e Lucas Furtado,, chefe do Ministério Público que atua junto ao TCU, atropelaram normas internas e pareceres técnicos para explorar indevidamente o contrato firmado por Sergio Moro com a Alvarez & Marsal, após o cumprimento da quarentena do serviço público.

A parcialidade e o interesse político de Dantas e Furtado já era bem evidente. Agora, com o relatório técnico, tudo fica cristalino.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Barroso defende Lava Jato: ‘Estão tentando destruir tudo que foi feito".

Em entrevista ao Marco Antônio Villa, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse que “eventuais excessos” da Operação Lava Jato não podem desviar o foco do combate à “corrupção sistêmica” que existe no Brasil.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Temer retira R$ 1 Bi do Fies para financiar Segurança Pública

A medida provisória que destina recursos das loterias federais para o FNSP (Fundo Nacional da Segurança Pública) causará prejuízo de quase R$ 1 Bi ao Fies (financiamento estudantil), um dos principais programas federais de educação.

A medida do governo do presidente Michel Temer (MDB) também cancelará os recursos repassados à Cruz Vermelha, à Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e às Santas Casas. 

A medida provisória mexe no destino da arrecadação de loterias esportivas, de prognósticos numéricos —como a Mega Sena e a LotoFácil—, as de prognóstico específico — a Timemania — e a Lotex (esta fora de atuação, já que o governo pretende vendê-la). 

O texto também revoga trecho da lei que determinava que deveriam ser repassados às Santas Casas e outras entidades de saúde sem fins lucrativos 3% dos ganhos com a Timemania, pelo FNS (Fundo Nacional de Saúde). 

O documento assinado por Temer, em vigor desde 12 de junho, tem como objetivo destinar recursos para o recém-criado Ministério da Segurança Pública, que será responsável pela implementação de um sistema único da área, nos moldes do SUS, como aprovado em maio pelo Congresso.

A segurança pública se tornou bandeira do governo Temer desde o fracasso da reforma da Previdência e a declaração da intervenção federal na área no Rio de Janeiro. 

O texto ainda tem de ser aprovado na Câmara e no Senado até 24 de agosto para que a medida não perca validade. Atualmente, ele está em uma comissão mista criada especialmente para analisar a matéria —ainda não foi designado um relator. Parlamentares já apresentaram 95 sugestões de emendas à medida. 



Como podemos ver, a medida provisória também retira recursos de outros ministérios, o que tem gerado grande polêmica. Evidentemente, sabemos da importância do combate à criminalidade nas mais diversas formas e setores, haja vista o grau de avanço que atingiu o crime organizado no  país.

Contudo, entendemos que os recursos destinados à custear esse fundo nacional de segurança deverão vir de diversas outras fontes, mas não de áreas prioritárias e essenciais ao desenvolvimento do país, como é o caso da educação.

Poderíamos aqui citar várias fontes de recursos capazes de custear, com tranquilidade, o Fundo Nacional de Segurança Pública - FNSP, sem causar colapsos em áreas sensíveis. 


Apenas a título exemplificativo, trazemos a situação dos cargos em comissão. O governo federal possui atualmente mais de 100.000 cargos em comissão e funções de confiança. Esse número, além de absurdo, representa um gasto de mais de 40 Bilhões de reais por ano. Com uma redução de apenas 10% desse quadro, seria suficiente para arcar integralmente com os recursos do FNSP, que no seu auge (ano 2022) atingirá R$ 4,3 bilhões de reais.

Pré-candidato a Deputado Federal por São Paulo, Luiz Claudio Nogaroto nasceu em Tremembé e reside em Taubaté, municípios do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Formou-se em Engenharia Mecânica, com pós-graduação em Carreiras Públicas. Iniciou sua carreira na administração pública em 2002 e desde 2011 exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal. Em 2016, iniciou sua atuação na força-tarefa da Operação Lava Jato. Em paralelo, Nogaroto atua como professor e coach para concursos públicos em todo país.




quarta-feira, 20 de junho de 2018

STJ restringe foro para governadores e conselheiros


A Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu nesta quarta-feira (20) restringir o chamado foro privilegiado para governadores e conselheiros de Tribunais de Contas. 

Não houve decisão sobre o foro para desembargadores, outra categoria que ficava sob responsabilidade do STJ. 

A decisão ocorre na esteira de medida semelhante tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) com relação a deputados federais e senadores, no mês passado.

Os casos dos chefes do Executivo estaduais e de conselheiros, que tinham foro no STJ, deverão agora ser remetidos para os juízos de primeiro grau.

A decisão retira o foro para fatos ocorridos antes do início do exercício do cargo e que não tenham relação com suas funções. 

A discussão sobre o caso dos conselheiros, feita a partir de uma questão de ordem no caso de um conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal se estendeu por três sessões, sendo a primeira no dia 16 do mês passado, quando houve o primeiro pedido de vista. No último dia 6, o julgamento foi retomado, mas novamente suspenso.

Após a decisão, tomada por oito votos a dois --que discordaram na fundamentação--, o colegiado fez um rápido exame da questão dos governadores. Desta fez, como a questão teórica já estava superada, a votação foi unânime. 
A Corte Especial é formada pelos 15 membros mais antigos do tribunal, mas a presidente, Laurita Vaz, só vota em caso de necessidade de desempate. Na sessão desta quarta, quatro magistrados estavam ausentes. 

O colegiado é o responsável pelo julgamento de autoridades com foro privilegiado no tribunal. 

Mesmo antes dessa decisão da Corte Especial, um ministro do STJ já havia enviado um caso contra governador à primeira instância. Em maio, o ministro do tribunal Luis Felipe Salomão determinou que a ação penal contra o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), fosse remetida para a Justiça de primeira instância daquele estado. 

Salomão afirmou ter adotado a medida com base no princípio da simetria, ou seja, casos semelhantes julgados no tribunal devem receber a mesma interpretação sobre o foro que foi  aplicada pelo STF. 

Salomão afirmou em sua decisão que no caso da ação contra o governador da Paraíba os fatos investigados teriam ocorrido antes de ele assumir o mandato de governador.




Pré-candidato a Deputado Federal por São Paulo, Luiz Claudio Nogaroto nasceu em Tremembé e reside em Taubaté, municípios do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Formou-se em Engenharia Mecânica, com pós-graduação em Carreiras Públicas. Iniciou sua carreira na administração pública em 2002 e desde 2011 exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal. Em 2016, iniciou sua atuação na força-tarefa da Operação Lava Jato. Em paralelo, Nogaroto atua como professor e coach para concursos públicos em todo país.


"Garantismo" não pode ser garantia de impunidade, diz Barroso

O inédito avanço da Justiça no sentido de punir empresários e políticos envolvidos em grandes esquemas de corrupção, como visto nos últimos anos, rompeu com uma cultura histórica no Brasil. E agora assistimos uma reação contra este avanço. A avaliação é do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que saudou, em especial, uma mudança histórica: o fim da proteção irrestrita aos criminosos do colarinho branco.

— O que está mudando no Brasil é a criação de um Direito Penal mais igualitário. É preciso ter uma Justiça moderada, igual, justa, que garanta o direito de defesa. Desafio qualquer criminalista a demonstrar que eu tenha condenado alguém que não fosse com prova inequívoca nos autos. Então, essa história de punitivismo é balela de quem está tendo que reaprender a trabalhar. Porque o sistema era feito para proteger essas pessoas — avaliou Barroso. — As pessoas estavam acostumadas com um sistema penal que não funcionava, sobretudo para o colarinho branco. Ninguém que ganhasse mais de cinco salários mínimos era condenado no Brasil por coisa alguma. Você tinha uma cultura nessa área em que ninguém jamais era punido.

Ao rechaçar a pecha de integrar a corrente “punitivista” na Suprema Corte, em contraposição a uma ala “garantista” que entende ter uma posição de maior atenção aos direitos dos réus, Barroso procurou desconstruir a visão de que estamos vivendo um “Estado policial” no Brasil.

— Há uma visão brasileira de que devido processo legal é o que não termina nunca. E que garantismo é a garantia de que ninguém nunca será punido por coisa alguma. Um Estado que pune um empresário que ganhou licitação porque pagou propina não é estado policial, é um Estado de Justiça. O Estado que pune um banqueiro com lucros extravagantes porque paga propina para ter inside information não é Estado policial, é um Estado de Justiça. A injustiça era tão naturalizada no Brasil, que um pouquinho de Justiça que começa a ser feita, parece uma revolução — afirmou, ao mencionar um dos temas mais debatidos do momento, a prisão após a condenação em segunda instância: — Aquilo do que mais se queixam é a execução penal após a condenação por um tribunal de segunda instância. É assim no mundo inteiro. Um processo tem de durar um ano, um ano e meio. Essa cultura brasileira de o processo levar dez, 20 anos, até prescrever, é uma vergonha, é um terceiro-mundismo explícito que precisamos derrotar.

O debate sobre o início do cumprimento de pena após a condenação em segunda instância pode voltar ainda ao plenário do STF. Barroso é favorável ao entendimento vigente atualmente, que permite a execução penal. No encontro E Agora, Brasil?, fez uma retrospectiva sobre a evolução da norma. Lembrou que, entre 1941 (data da promulgação do Código de Processo Penal) e 1989, a execução penal se dava após condenação em segunda instância — e, muitas vezes, o condenado no primeiro grau já recorria preso. Após a Constituição de 1988, o entendimento da Justiça foi de que a execução provisória não ofendia a garantia da presunção de inocência. No período entre 2009 e 2016, vigorou no Brasil a prisão apenas depois de todos os recursos apreciados.

— O STF passou a exigir o trânsito em julgado. Produziu um efeito devastador. Os advogados passaram a ter uma litigância procrastinatória (atuar apenas para arrastar o processo no tempo), para não deixar transitar em julgado. Isso aumentou a seletividade do sistema também, porque quem não tem advogado para ficar interpondo um monte de recurso, esse vai preso. Depois, o Supremo viu que havia criado um problema, e voltou atrás.

PROCESSO EM ATÉ UM ANO E MEIO

Um dos grandes problemas da Justiça para atuar com mais eficiência, na visão de Barroso, é a lentidão dos processos. Ele apresentou uma proposta para a redução do tempo até a sentença.

— O sistema processual deveria funcionar assim: o juiz recebe a petição inicial ou denúncia. Nesse momento, manda ouvir a outra parte. Quando recebe a resposta, juiz já tem ideia da complexidade da causa e acho que ele deveria dizer: “Daqui a três, ou seis meses, vou levar autos para sentença, portanto produzam suas provas”. As partes deveriam produzir as provas. O juiz, se quiser, eventualmente, poderia ouvir testemunhas. Não dá para o juiz ficar à mercê da manipulação das partes, que arrolam 30, 50 testemunhas — propõe Barroso. — Com isso, acho que todo processo poderia acabar em primeiro grau em menos de um ano. E, em segundo grau, em mais três ou seis meses. Um ano e meio, pra mim, é o limite razoável de duração de processo. Tem que mudar cultura de processo civil e penal italianos, que acho que não funciona satisfatoriamente bem.

Fonte: O Globo

Leia também o artigo de Luiz Claudio Nogaroto: "A gente da um jeitinho..." - O Ciclo da Impunidade



Candidato a Deputado Federal por São Paulo, Luiz Claudio Nogaroto nasceu em Tremembé e reside com a sua família em Taubaté, municípios do Vale do Paraíba. É engenheiro mecânico, pós-graduado em Carreiras Públicas. Iniciou sua carreira na administração pública em 2002, na Petrobras. Em 2009, foi aprovado e nomeado para o cargo de Analista de Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas do Estado de São Paulo. No ano seguinte, Nogaroto assumiu o cargo de Auditor Fiscal da Receita do Estado do Rio Grande do Sul e, desde 2011, exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Primeiramente, atuou na fronteira do Brasil com o Paraguai, diretamente no combate ao tráfico de drogas e armas. Posteriormente, passou a trabalhar em grandes operações e, em 2016, iniciou sua atuação na força-tarefa da Operação Lava Jato.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Confira a entrevista de Sérgio Moro à revista Crusoé

Na primeira entrevista concedida após a prisão de Lula, o juiz da Lava Jato Sergio Moro disse à revista Crusoé que não se sentiu desafiado pelo fato de o ex-presidente ter desrespeitado o prazo concedido para se apresentar à Polícia Federal. “Isso nunca foi e não é uma questão pessoal entre ele e eu. Estou apenas fazendo o meu trabalho como juiz”, afirmou.
A ordem de prisão foi emitida no dia 5 de abril, uma quinta-feira, e Lula deveria ter se entregado no dia seguinte. Mas preferiu resistir até o sábado, 7 de abril, entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).
“Não era uma questão de mostrar quem era mais forte, mas de agir com sabedoria”, disse Moro, que falou ainda sobre momentos de tensão, arrependimentos e riscos a sua integridade física por causa do trabalho na Lava Jato.
Acompanhe a seguir os melhores momentos da entrevista dele:

A prisão de Lula e o descumprimento do prazo

“O prazo foi concedido em virtude da dignidade do cargo por ele ocupado e igualmente para prevenir riscos aos policiais, a ele e aos militantes partidários, se o mandato de prisão tivesse que ser cumprido a força. O ex-presidente escolheu não aproveitar a oportunidade e entregou-se apenas no dia seguinte (...). Não é uma questão de mostrar quem é o mais forte, mas de agir com sabedoria. Mas não me senti desafiado, isso nunca foi e não é uma questão pessoal entre ele e eu. Estou apenas fazendo o meu trabalho como juiz.”

O senhor votou em Lula ou no PT?

“Não revelo minhas preferências políticas nem votos pretéritos. Um juiz tem que tomar muito cuidado para não externar preferências políticas.”

Brasil está vencendo a corrupção?

“Os processos são importantes, tem que haver resposta institucional, as pessoas que cometeram crimes têm que ser punidas, mas é preciso fazer reformas. Estamos cuidando apenas do aspecto patológico da corrupção, e não de suas causas, embora a impunidade seja também uma causa. Tenho a firme crença de que só enfrentar os casos na Justiça não é suficiente.”

Democracia em risco

“Não vejo isso. Não vejo revolução, revolta nas ruas. Não vejo risco de retrocessos autoritários. Eu vejo o contrário. As instituições estão funcionando, e o que está prevalecendo é o império da lei. A impunidade que nos envergonha, embora ainda exista, não está mais no mesmo nível do passado (...) Ao fim desse processo, a minha crença é que a democracia estará ainda mais forte no Brasil do que no passado.” “Tentam retirar minha legitimidade e a minha credibilidade. Eu acho muito deplorável isso. Não vejo condições de vir publicamente, a cada momento, refutar as fake news que aparecem em sites ou, às vezes, até por supostos jornalistas. Eu acho que não vale a pena. Não se deve dar atenção a quem não merece. Tem um velho ditado que diz que não se deve atirar uma pedra em todo cão que ladra.”

Acusação de ligação com a CIA

“Isso é fake news. É algo tão sem sentido... Há gente que se comporta como se estivéssemos na Guerra Fria, na década de 1960, 1970, 1980.”

Maior decepção na Lava Jato

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“Eu acho injusta as críticas de que o meu trabalho seria seletivo. Isso eu acho injusto. Aí há quem queira manipular a opinião pública e, no fundo, se defender. Não raramente, quem afirma isso não é porque quer ver punida a pessoa que ainda não sofreu os rigores da lei, mas sim porque quer usar isso como álibi para sair livre. Às vezes colocam responsabilidade aqui sobre a 13ª Vara de casos que nem se encontram em nossas mãos (...) Não temos aqui em Curitiba uma jurisdição universal.”

Momentos de tensão

“Foram vários os momentos tensos nesses quatro anos. Logo no início houve aquela decisão do ministro Teori Zavascki que determinava a liberação de todos os que tinham sido presos preventivamente na primeira fase da operação: Paulo Roberto Costa, Alberto Yousseff e um grande traficante de drogas. Havia risco de fuga e de destruição de provas. Mas, melhor informado, o ministro Teori voltou atrás e manteve as prisões (...). A primeira audiência pública que revelou a extensão dos crimes na Petrobras (...) no sentido de que compreendi que não tinha mais retorno. Abrimos uma porta e não tinha como voltar atrás (...). A fase em que houve as prisões cautelares de vários dirigentes de empreiteiras, pelo poder econômico dos presos (...). E o próprio momento em que houve a condução coercitiva do ex-presidente (Lula).”

Um arrependimento

“Aquela foto com o senador (Aécio Neves) em um evento público. Nada contra o senador, ele tem os problemas dele na Justiça, tem que responder lá (...), mas aquilo foi utilizado para ilustrar algo que não é real, para mostrar alguma influência do senador, alguma seletividade (...). Foi um momento ruim porque deu uma impressão errada, gerou uma impressão que não era verdadeira.”

Tem medo de morrer?

“Sou um juiz criminal faz tempo e um juiz, assim como um policial, procurador ou até advogado, se envolve em situações de risco. Então, (morrer) não é uma coisa que passa muito pela minha cabeça (...) A minha expectativa natural é que eu possa percorrer todo esse caminho sem incidentes de violência. É claro, no entanto, que preciso tomar uma série de cautelas.”

O desejo de deixar a Lava Jato

“Eu gostaria de sair realmente, porque foi um trabalho realmente desgastante. Gostaria de sair, de ter oportunidade para aprimorar meus estudos, até para retornar sendo um melhor juiz. Mas gostaria de fazê-lo quando esse trabalho estivesse encerrado. Passar um tempo fora, estudando (...) Mas, com certeza, pelo menos em 2018, a operação segue.”

A fama

“Tem que ter sempre o pé no chão. Esse não é um trabalho de um único indivíduo. Envolve várias pessoas, de várias instituições. Do Judiciário, do Ministério Público, da polícia principalmente (...) É preciso ter presente que os méritos são institucionais, o que é o lado mais importante. A operação será algo positivo se, ao final, tivermos instituições mais fortes (...) Tendo isso presente, eu chego à conclusão de que a fama pessoal é passageira, que decorre do calor do momento. Essas coisas passam.”

Já passou pela cabeça entrar na política?

“Eu fiz uma promessa que não ia concorrer a nenhum cargo político. Pretendo manter essa promessa. Mas a meu ver não tem nada de inerentemente errado no fato de um juiz, um procurador ou um membro da polícia seguir a carreira política.”
Fonte: Revista Crusoé


Assista ao trecho da entrevista onde Luiz Claudio Nogaroto destaca, dentre outros, o combate efetivo à Impunidade:




Pré-candidato a Deputado Federal por São Paulo, Luiz Claudio Nogaroto nasceu em Tremembé e reside em Taubaté, municípios do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Formou-se em Engenharia Mecânica, com pós-graduação em Carreiras Públicas. Iniciou sua carreira na administração pública em 2002 e desde 2011 exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal. Em 2016, iniciou sua atuação na força-tarefa da Operação Lava Jato. Em paralelo, Nogaroto atua como professor e coach para concursos públicos em todo país.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

PF prende Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, suspeito de desvio de R$ 7,7 milhões

O ex-diretor da estatal paulista Desenvolvimento Rodoviário S.A., Dersa, Paulo Vieira de Souza, foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Suspeito de ser operador de campanhas do PSDB, Paulo Preto, como é conhecido, teve sua casa como alvo de operação de busca e apreensão.

A prisão ocorreu a pedido da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. José Geraldo Casas Vilela, ex-chefe de Assentamentos da Dersa, também teve prisão decretada.

Em meados de março, o Ministério Público Federal em São Paulo ofereceu denúncia contra Paulo Preto e outras três pessoas, acusando-as de terem desviado recursos em espécie e em bens imóveis, entre os anos de 2009 e 2011, no montante de mais de 7 milhões de reais. Os recursos deveriam ter sido destinados ao reassentamento de pessoas desalojadas pela Dersa, para a realização das obras do trecho sul do Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo.

A denúncia foi aceita e os agora os réus respondem pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e inserção de dados falsos em sistema público de informação.

Durante as investigações da Lava Jato, de que Paulo Preto seria operador de Serra (PSDB-SP) em desvios de recursos da obra viária, o ex-diretor foi citado por sete delatores (da Odebrecht, Andrade Gutierrez e pelo operador Adir Assad), e apareceu em depoimentos de outros três executivos da OAS e da Queiroz Galvão que negociam acordo com procuradores. 

Documentos enviados aos procuradores por autoridades suíças mostravam que Paulo Preto tinha ainda quatro contas no banco suíço Bordier & Cie. O saldo conjunto, em junho de 2016, era equivalente a R$ 113 milhões de reais.

Os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e José Serra, assim como Paulo Preto, são investigados no STF por suspeita de obter vantagens indevidas a partir de esquemas de cartel para construção do trecho sul do Rodoanel.







Pré-candidato a Deputado Federal por São Paulo, Luiz Claudio Nogaroto nasceu em Tremembé e reside em Taubaté, municípios do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Formou-se em Engenharia Mecânica, com pós-graduação em Carreiras Públicas. Iniciou sua carreira na administração pública em 2002 e desde 2011 exerce o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal. Em 2016, iniciou sua atuação na força-tarefa da Operação Lava Jato. Em paralelo, Nogaroto atua como professor e coach para concursos públicos em todo país.